Quando uma receita dá certo, ela é repetida. Até alguém dizer chega. É fato, não adianta. Ainda se repetem os clássicos… Não é mais nem imitação. Já repetiram essa fórmula de A Feia que fica Linda umas mils vezes. Isso me dá nos nervos, me enche o saco, me ofende e tudo o mais. Como diz meu professor de Física: Ridículo!
Eu já fui feia. Confesso. Digo mesmo. E mudei. E ainda estou mudando. Mas isso veio dentro de mim na hora certa. Apesar de eu ter ficado anos e anos a fio com as pessoas na minha orelha falando que eu poderia me cuidar mais, ser mais bonita e blá blá blá. Esse assunto é muito sério, é muito pessoal também. Como a sexualidade.
Interessante criar uma novela assim? Posso dizer que sim, claro. Mas ficar repetindo o tema muitas vezes acaba ofendendo as pessoas feias, como se as obrigassem ser bonitas. Beleza já é uma coisa relativa. Se uma pessoa quer ser feia porque quer ser feia (ou até mesmo acha bonito), deveria ter no mínimo um respeito.
É difícil achar um filme em que uma pessoa feia torna-se feliz, consegue o que quer. Existe? Sim, mas não faz sucesso. Apenas um chegou a minha visão, que foi o Ela é o Demônio. Passava na Record, mas com essa de novela, resolveram tirar da programação. Conta a história de uma mãe baranga de família cujo marido a traía com uma escritora bonitona de livros eróticos.
Mas sua vingança foi simplesmente… Perfeita. Deixou a amante cuidar dos filhos, explodiu a casa, pegou a grana do seguro, foi trabalhar no asilo da mãe da bonitona… E literalmente acabou com a vida do marido e da amante. Sem uma mínima transformação em seu visual. Ou seja: pode-se sim ser poderosa, inteligente, e acima de tudo, feliz, com nossas caras horrorosas!
Comecei a me arrumar simplesmente porque quis. Porque descobri que certos lugares exigem um refinamente, e outros, a mulambação. E que homens olham mais a aparência a outras coisas. Fiz progressiva no meu cabelo para poder penteá-los sem litros de creme. Comprei roupas mais bonitas porque quero um estilo próprio. E a lista anda…
Fora a falta de criatividade em criar novela. Mutantes já deu tudo o que tinha que dar na primeira novela, o resto é vulgarização. Série da Ugly Betty é coisa pra menina que ama baixar séries na internet. Pedro, o Escamoso é para as mulheres que queriam uma versão latina do Marcos Pasquim. E a lista anda…
Ou seja: não estou nem um pouco animada com essa nova novela por dois motivos. O primeiro é o clássico: a famosa repetição. Repetição do mesmo tema seguindo a mesma linha. Se fosse por outra abordagem (a bela que fica feia) seria muito mais interessante (se ela tivesse final feliz, óbvio!). O outro motivo é mesmo a abordagem do tema, que parece induzir as pessoas a serem bonitas, um conceito tão relativo quanto o bem e o mal.

esse ponto de interrogação depois do ‘aqui’ no comentário passado era pra ser um coração do alt+3 hehehe